
Hoje me aconteceu entender a mágica da desaparecença, enquanto deslizava sobre o geométrico mosaico do viaduto Santa Efigênia, em direção à minha muambização digital, fui observando os ambulantes cosmopolitas que vendiam de tudo, chapéus, porta cds, cintos de couro, pequenos helicópteros, cópias piratas do que você bem entendesse e, até mesmo, um aparente boliviano que vendia orquídeas, fiquei pensando como às produzia. A cada passo de minha observação eu recordava meu avô e das histórias que já ouvi sobre ele, de seu desespero em vender qualquer coisa que fosse para poder levar dinheiro para casa ou de sua maneira mágica de quase existir. Minha vontade era comprar tudo, de alguma forma participar de suas alegrias, mas pelas minhas próprias opções de vida seria impossível com as parcas moedas que continha. Quando dei por mim já estava exatamente no centro do viaduto e em minha direção sem nenhum cuidado ou preocupação avançava com velocidade o carro da guarda civil metropolitana. Ainda a tempo de jogar meu corpo para o lado e safar-me do atropelo virei para acompanhar o trajeto do veículo, deslocando meu corpo novamente. Abri um grande sorriso ao ver que ali já não havia nem vendedor nem mercadoria alguma. Lá estava nas minhas costas um viaduto higienizado, uma paisagem de outro hemisfério ou meu próprio devaneio, foi um só minuto de passadas e me perdi das saudades do avô e deste existir moedas.
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