31.5.10

Osmoso


Mimkais osmosa na paisagem e transmuta-me em nada mais nada menos do que em essência posso ser. A lua anda podendo perceber seu ciclo e eclipa-se nas montanhas: "quem tá comigo me acompanha!!!"

"Vontade de cantar tão absoluta que"



Uma pá de coisa acontecem a custa de muito trabalho, não poderia ser diferente com cada pa-lavra. É preciso preparar o solo, introduzir a semente e cuidar diariamente para que então em algum momento possa presente seguir florida. Tão pouco conosco é diferente. A ninguém existem garantias que o broto ‘árvore-se’ e assim seguimos adubando o corpo, acolhendo a grão, semeando os caminhos do devir em aparente deriva, porém sem esmorecer alma coerente. Mimkais por vezes se senti fatigado e é tratado como carcaça, sempre tentando esquecer que o único caminho possível é o da disciplina, da perseverança e o da alegria. Às vezes o vento muda de direção e tudo quente torna-se novamente e é nisto que ponho fé, ou ao menos tento. Mim’alma segue exigindo-se por completo e este ou zero ou nada um dia vai ter que passar para o está parecendo iniciar o um mais um e é nisto que invisto agora. Será necessário desvendar tal mistério ancestral e adubar o buraco certo para que no futuro ‘dês-frute’. Enquanto aguardo o momento da revelação ‘osmoso’ alegria na cidade dos elefantes, que até agora sobrevivem aos solitários tigres da arrogância. Hoje está parecendo o primeiro dia do resto da minha vida, se olhassem meus olhos-kais agora viriam que, como o poeta, “calo-me repleta”.

Porta gen-borboleta



Quando a porta se abriu o avô que estava por de trás das orelhas entranhou em cada partícula paterna. Foi como um suspiro, de um momento para o seguinte e já havia inalado milhares de borboletas apaziguando-se por completo. As moedas passaram a lhe fazer outro sentido, não mais o da sobrevivência como o do outro, mas no reflexo das avessas, o que também não quer dizer nada. À razão agora o visita sempre e quando não tem ninguém por perto todos pasmam com tal mistério. O que se passa no coração desta mente é mesmo de se criativar e por este motivo sugere-nos sempre que está tudo muito bem apesar das nuvens. A porta, no entanto, o aguarda sorridente para os momentos do afinal de contas. Quando fecha dói ‘purrrmão’ e entope tudo, mas como boa tramela que tem, logo sai em disparada causando folia e espalhando sítio pelos corredores. Lá em casa, aquela que só existe nas antigas lembranças, ele, porta, estaria adivinhando mais um passe de mágica do homem borboleta, enrolado na sua manta mágica multicolorida e, como frequentemente, procurando suas moedas entre pipas.

Lua precisa de Sol



Simplesmente pelo fato de ser humana viver sem a Sol beira o insuportável. Sem raio que me corra, num fim de tarde ou numa manhã qualquer, torno-me menos do que posso ser. Algumas pessoas tecem essa qualidade, incitam o melhor de ti e fazem nosso coração suavizar. Depois que as temos é um verdadeiro lamento estar sem suas presenças iluminadas. Parece-me que no fundo a vida não passa disso, uma possibilidade de rendarmos relações amorosas e amizades verdadeiras. Toda vez que eu digo adeus e quem compartilha comigo já observou que minha alma nômade, derivada de ancestrais, parti inúmeras vezes carregando cada lembrança-dedicação e afeto em bagagem Mimkais. Os aromas e gostos me acompanham também e lá no fundo, quando não tem mais ninguém por perto os deixo sair e as lágrimas escorrem tranqüilamente, felizes por estarem vivas novamente. Se alguém por aí perguntar do que sou composta não se esqueçam de dizer que fora os ossos, a carne, a pele, os órgãos e a alma, há uma porção bem generosa de cada ser que amo. Sol-me, Mar-me, Flor-me, Fê-me, Mãn-me, Pá-me, Tí-me, Flor-me, Negra-me, Rosa-me, Zéfá-me, Duda-me, Di-me, ou melhor, Martrize-me, Gina-me, Jãn-me, Vê-me, Poly-me, Rey-me, Alex-me, Lú-me, Má-me, Zunga-me, Uri-me, Dé-me, Cá-me, Jô-me, Dada-me, Mô-me, Chefinho-me, Ingrid-me, Dani-me, Cã-me, Zan-me, Gê-me, Dê-me, Mariá-me, Bruno-me, enfim, parte de Mimkais já é você. E, definitivamente, a Lua precisa da Sol para brilhar.

O dia em que a Mar subiu até a Lua



Sua alma e a minha estavam entrelaçadas de forma complexa, já somam, desta vez, pra lá da metade de nossas vidas e nem apresentam sinais de ser-parar-se. Veio ver Mimkais nas alturas e chegou como a conheci, aquela da qual já senti tanta saudade, esplendida, integra, em si. Aventurou-se pelo salão do bar dos homens, acertou bolas concomitantes, gritou, trocou afinidades, espantou-se com a cabeça do javali, mas quis seus dentes, adentrou casa adentro sorridente e fez-nos chás especiarias em plena forma abertura, pronta. No dia seguinte tocou a terra, recebeu lições preciosas, emplumou-se, cavalgou pelo vale, avermelhou-se por completo, lambarizou pela horta na plenitude da lua cheia de gêmeos bem no meio da calda do escorpião e trocou causos sentada no fogão com lenha fumegando gargalhando sem parar. Vimos um Mundo Novo e mais uma vez eternizamos fim de tarde derramando lágrimas emoção na soleira de mais uma de nossas portas. Lá vai ela recolhendo maré cheia para oceanizar-se amarela enquanto a Lua em mimkais alumia-me lar. É sempre assim quando descobrimos que nunca estamos sós: a mar refleti lua enquanto a lua refrata mar. Lá vamos nós mareluando pelos vales encantados catando pinhão e sonhos bromélia.

25.5.10

Perdão



Foi de uma só vez, pisquei e estava lá, a resposta revelada. Por vezes olhamos para uma pessoa a vida inteira sem entender o porque de suas coisas e num belo dia, entre uma carta e outra, surge o gesto que transmuta toda sua linhagem e o entendimento sobre o por quê das minhas próprias coisas, agora avessas por completo. Estava ali o tempo todo e como véu de noiva nublava-nos. Olho para ela hoje e vejo o amor e a doçura, quando criança por vezes sentia medo, sempre me questionava sobre nosso amor e de fato acabei derivando com minha mãe tais asperezas e espero que o presente-flor baste para tanto futuro desejado. A vi imacular seu passado diversas vezes com palavras duras de escorrer sangue e foi justamente quando às próprias mãos não podia controlar que amorou-se por completo, espalhando ternura e gestos mágicos. Estava ali a dificuldade nas minhas próprias coisas, nada mais do que isso, mais uma vez, pura oportunidade de transformar-me em curto espaço tempo. Suas rugas reveladas, que honro todos os dias existindo e colocando-me a serviço de Nós, enxergaram o porque de atrair experimentos por vezes tão dolorosos, exatamente como uma frágil floresta de bromélias que surge em estreitas fendas na bruta pedra e por fim flori sem dispersar letras contrarias e transpor passado perfeito. Foi necessária cada lágrima para torná-la o que viemos para ser e é daí, desta janela da alma que migro olhar futuro e os imagino pulando no banco de trás, na véspera de fins e pronta para os próximos.

24.5.10

coraçãozadas


quem caminha com os pés deixa pegadas no mundo, quem caminha com a alma deixa coraçãozares e orações nos ares.

MimKais com OutroNau


aquerelando Kais-Nau em nós

Gonçalvando-me com o poder das palavras



Texto escrito dia 13 de maio de 2010, antes do plano divino reconfigurar-se por completo. Aquarela minha

Andando… Dia após dia no devir de entender estes homens circulando como baratas tontas em busca de si mesmos. Em raros e inesquecíveis momentos quando os vejo olhar o próximo é mesmo de se arrepiar. No fundo creio que estas lembranças são as que permanecerão no momento afinal de contas e isso, logicamente, muda as coisas de lugar.
Penso em tudo que me tornei quando honro meus antepassados através do cotidiano. Diferente de alguns e iguais a outros sigo em busca dos caminhos do meio, na corrida desenfreada para sair dos extremos. Apegada a poucas coisas, mas a estas de maneira significativa, como, por exemplo, viver apaixonadamente, quando borboleteio causando estranheza nos que são tocados pela maré das circunstancias e, não raramente, desperto seus tigres famintos e medrosos. Cegos e, muitas vezes, loucos, com uma raiva irracional ancestral, às vezes, diante de tanta intensidade me falta espantamento ao observar o transbordar.
O que mais gosto mesmo é de trocar olhares profundos e escutar palavras de doçura dos que têem seus egos amainados pelo amor e, portanto, tornaram-se simples, já que podem viver auto-organizados em comunidades humanas e comunicam-se espontaneamente.
Juntando papeis e propagando sonhos vou migrando pelas estradas do interior interagindo e procurando estar presente em espírito, corpo e mente na paisagem. Composta de partículas, como tudo o mais, tento identificar-nos além e encaro o desafio de tornar-me xícara acolhimento, colocando as informações demasiadas em lugar certo para que caiba o novo, a bruma. O observar da xícara com o líquido quente revela o tal: se está cheia de mais o evaporado não tem seu minuto para se aglutinar e se desvai fraco e dispenso, se está vazia de mais, não tem forças e conteúdo para alçar vôo. É preciso esta preparada, na medida certa, para que tenha espaço, conteúdo e força de transformação e então, lugar de recepção. Este sim, aconchego que não é cativeiro.
Frequentemente me via repleta, inflada, ou melhor, atolada em tantas informações, enlatada entre leituras, vivencias e imagens em demasia. Capturar nunca foi um problema para mim, nem mesmo metamoforsear o depois, mas, apesar de criativo, este diferente também nascia complexo. O minimalismo nunca foi meu forte, segundo uma amiga muito querida, de minimalista eu só tinha saias quando éramos adolescentes e apoteávamos na orla carioca.
Pelo próprio linguajar notam-se quantas palavras habitam este caos que, em hipótese alguma, anda atrás de ordem. Comecei escrevendo Haicais e hoje, mais uma vez, estou em busca deles, agora em lugar contrário, em MimKais. Quase como olhar um gramado contra o sol em colina de fim de outono, com a luz já na tangente. A princípio vemos aquele verde único, vibrante, mas, logo após a primeira piscadela notamos cada mico folha com seu verso iluminado transparente e pasmamos na primeira rajada de vento, quando dançam, como nós ao olharmos.
Este amadurecimento imaginético é fruto de uma espécie de silêncio que adquirimos com trabalho e tempo. É o poder de parar a mente por alguns segundos e permitir-se apenas movimentar os olhos na paisagem, respirar e notar-se pelo corpo, sossegando o raciocínio e pondo-se para fora. Meu corpo é mimkais, onde sou marcada pelo viver, onde posso me encontrar, em casa, na alma-corpo, no lar onde habito-me, repleta ou despida de vestígios, desencontrada ou em si, em solitude ou populada, serena ou arisca, selvagem e civilizada, enfim, aqui, em casa, vivo no mar das possibilidades e escolho à cada novo toque para onde vou ser e levar mimkais viventi.
Quando me recolho para escrever palavras e imagens é exatamente no intuito de antropofagiar o que existiu em mimkais, uma espécie de entendimento, um querer dizer que aqui agora ficou assim, sem esquecer de estar sempre à espera das próximas mudanças, ou melhor, oportunidades.
Olho para minhas rugas começando a surgir lentamente e lembro do meu primeiro amor. O que era aquele sentimento único, porque as avalanches surgem quando nem imaginamos ser possível existir e, o mais relevante, o que eu faria hoje se mais uma vez fosse possível oportuná-lo. Claro que tirando o óbvio de ser menos tola, menos prepotente e eterna, mesmo sabendo que deveria querê-lo menos, e não falo da pessoa, e sim do amor, ainda noto-me buscando extremos, vacilando na capacidade de crer no caminho do meio, ou ainda muito ignorante ou soberba para tal.
Confiar no plano divino me deixa assim, crente que a qualquer momento Mimkais vai receber um OutroNau e compartilharemos preciosidades quando em cotidiano. Afinar posturas e atitudes de ser no espaço-mundo, caminhar em passos próximos e espelhar sombras sem sobras de azar ou sorte, apenas dedicação e avesso, verso e prosa, construindo lembranças cardíacas, visto que podemos tanto na falta da necessidade de. A paisagem modifica-se com o trajeto da luz, a força do vento, da temperatura, do homem, da dor e do amor, não é para autentificarmos o que vemos que queremos compartilhar é porque já podemos fazê-lo sem evasão ou o oculto medo de ser querida.
Tons soturnos enebriam o instante das coisas, que tentam inutilmente permanecer imóveis, se nem as rochas crêem na fugas estabilidade quiçá nós, descobridores. Quem de nós optaria tornar-se ilha quando podemos navegar, zarpar para novos horizontes e renascer. Ninguém vai chegar a lugar nenhum sozinho visto que somos humanos e como formigas construímos e existimos em sociedade.