11.10.09

O Bote


São Paulo, século XXI, zona de combate tridimensional, vasta arena de jogos, simulações e caças. O fotógrafo é a presa, seu olhar periférico trás vantagem vital, quando em foco, através das suas mil lentes, poeta sente-se. A caçadora, predadora argilosa, com sua visão panorâmica de especialista aérea, confia que o elemento surpresa será sua maior arma na emboscada. Num piscar de olhos aumenta sua velocidade para o bote, mas decepciona-se ao ver que a presa também atinge tal rapidez e desaparece no concreto horizonte das fragmentações. Não desiste fácil, segue na espreita por algum deslize do capturador de instantes, em disparada o encurrala, a presa luta e mais uma vez consegue o escape. A predadora não mede esforços para atingi-lo e numa luta contra a gravidade parte num mergulho rasante, atravessa edifícios longínquos, praças depauperadas e corpos estilhaçados quando então atinge sua velocidade máxima e adentra ao vão interior, prisma bifurcante de improvável transpor, isola-o em si, sem retroagir ou esquecer sonha o alcançar em núpcias.

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