28.10.11
ieu?
Há pouco tempo uma amiga, um tanto marítima, que me conhece como poucos, aproveitou sorrateira oportunidade para adjetivar-me. Na hora mesmo a palavra já entrou fazendo cócega e buscando reflexão. Nunca havia recebido tamanha observação e de cá para lá, ponho-me à procura da precisa definição. Ao acatá-la passo a entender o que tende a diferir meu olhar, mas, se girar ao contrário, peso-me de excessos. Tal conclusão alude à própria definição e então o triangulo das bermudas está completo. O mais estranho a tudo isso é meu conforto em estar contente, de águas calmas, claras de ser e ver. O fato está aí, de tudo, o quase já disse à que veio e só me resta saber se algum dia transmuto-me em outra, ou me canso de ser tão SUPERLATIVA. Uma coisa é certa, te ver assim faz bem pra burro! Realce!
25.10.11
29.9.11
5.6.11
em família


Ontem foi seu primeiro passeio em família, tirando o papai e a mamãe, sua avó materna e seu avô paterno, com seu fiel amigo, a acompanharam. O céu azul alto de inverno estava límpido e incrivelmente lindo, mas o vento gelado logo nos obrigou a voltar para casa. A comida mineira caseira foi reflexo fractal da madrugada e assim fomos nos adaptando às intempéries. O olhar dos avós nos causa infinito de tanto amor e, só o futuro poderá revelar-me tal verdade.
puro objeto reto

Minha língua mãe é de fazer brotar objetos retos e oblíquos. É tanto “eu”, “meu” e “em mim” que deve de estranhar. No entanto, questiono-me se é possível discorrer sobre o que se passa atualmente sem que seja desta forma. O mundo todo ultimamente mora aqui na minha casa e o que eu possa ativamente achar do que se passa fora, no momento, não faz sentido. Apesar de que, no dia que a reforma do Código Florestal foi aprovada pelo Congresso Nacional, semana passada, eu desabei a chorar no sofá como se alguém muito querido tivesse falecido. Como lastimo tal retrocesso. No mais, tirando alguns lamentos mundiais e outros pormenores bestiais, sigo entregando-me às minhas próprias descobertas e vivendo do mais puro amor.
Fiéis

Minhas fiéis escudeiras são impreendíveis. Não importa o tamanho da cerca ou o desejo tê-las seguras, sempre, seja de noite ou de dia, arrumam uma maneira de se colocarem no mundo. A grande passa por frestas minúsculas para alcançar seu vôo, mas só volta se for pelo portão principal. Quando a porteira está fechada chama sua companheira e está vai até a porta de dentro me chamar para abrir, unha madeira e late até que eu saia e deixe sua amiga entrar. Sabem sempre quando estou preparando alimentos para elas e, sempre deixam um bocadinho em cada cumbuca para outra, trocando de pote o tempo todo. De madrugada quando o ordenhador vem recolher as vacas fazem um escândalo que só vendo, todos os dias na mesma hora, irritando o OutroNau que salta da cama e põe-se a reclamar. Se eu fosse elas latia também, portanto nunca as critico. Com a chegada da nenê pensei que pudessem estranhar, mas comportam-se como se Lara sempre existisse entre nós. Trazem para nossa vida alegria e amor e tornam-me uma pessoa mais feliz.
3.6.11
iden ti dad
caipiramami-me
1.6.11
amanheço


Aqui do alto quando amanheço o prazer me toma por inteira: juntar os gravetos, ascender o fogo, fumegar café, cuidar da continuada, arriscar-se ao vento gelado com registradora de instantes nas mãos na companhia das fiéis cãs felizes, contemplar mar de nuvens, compartilhar com a própria fonte materna cada milésimo despertar, ver OutroNáu abrir os olhos e sair em busca de seus cavalos, receber o primeiro sorriso Lara e espreguiçar-se com a alma já quente. Acordar antes do dia e esquentar casa útero é assim. E é daqui, do auge dos meus acontecimentos, que resplandeço liberdade e começo a costurar nossos futuros lavores.
30.5.11
Dindinha Fê

Sempre gratas, eu e Lara, por cada momento de amor com a dindinha Fê. Receber minha filha de suas mãos e ter confortavel aceito aconchego e amor, não tem mensura valor. Incondicionalmente te amamos Fê. Te ter nesta vida é mesmo um presente especial. Neste passo que vai indo chegará rapidinho a além! Juro que faremos o possível para te acompanhar! Valeu!
28.5.11
regra mãe
Lara
nas nuvens
Minha Lara Chegou!


É de um instante para outro, num minuto era você e no outro era você também, mas com único porém: você não é mais apenas um, agora é uma família e isto claramente transforma tudo. Só então percebo que para compreender o ser filha é necessário o ser mãe. Assim é possível sentir como fomos amados. É como se a vida começasse novamente, onde temos uma segunda chance para sermos amorosos e íntegros, onde só existe lugar para o perdão e o amar. Creio que já usei palavras como se as entendesse, mas agora vejo que estou plena, repleta do amor mais verdadeiro que pode existir: Lara a mamãe te ama profundamente! Há apenas trinta dias que você vive fora da minha barriga e à noite, à espreita por qualquer barulho seu acordo aos pulos procurando seu corpinho no meu. OutroNau me acalma dizendo que nossa filha está dormindo tranquilamente em seu berçinho ao lado da vovó. É inacreditável aceitar que a conheço há tão pouco tempo. É como se estivesse comigo uma vida inteira. Ainda me recupero de sua saída e mesmo inchada, de pijama pela casa, sonâmbula e com os cabelos fora de ordem, quando me deparo com os espelhos espalhados pela casa é inevitável o próprio espanto, nunca me vi tão bonita quanto agora e de certo nunca me amei deste jeito. É Lara, acho que está sua mãe nasceu mesmo para ser sua e agora, mais do que nunca, sente-se realizada coisa que, nenhum diploma, ou feito tinha lhe proporcionado. Acabo crendo que a falta de ansiedade que existia em mim para ser mãe era apenas a naturalidade de minha própria espécie, não dá para ter medo do que se verdadeiramente é. Bem vinda filha querida, no futuro, quando você tiver nossa continuada sei que vai compreender cada palavra desta e de certo será neste mesmo dia que perdoará qualquer erro ou falta que eu possa vir a ter. Apenas lhe garanto que estarei sendo o melhor que posso.
25.3.11
Minkais, o Lar de Lara

Lara me habita a carne há alguns meses, agora, às vésperas de transparecer fico aproveitando seus últimos empurrões encarnados internos. De certo está vai causar-me empurrões de outros tipos para o resto de meu tempo neste lar-corpo. Tem noites que ela tremula como borboleta e me faz pensar no estar em paixão, como dizem os poetas ao estomago. Não há dúvidas quanto a curiosidade de saber seus traços, mas sem ansiedade aguardo minha continuada aproveitando cada minuto deste primeiro tempo. Sentir uma outra se metamorfosear aqui dentro agregou uma espécie de compreensão global e um sentir-se árvore, enraizada, agregando luz, gerando proteção, resplandecendo com o centro do meu mundo bem no meio de minha barriga.
16.3.11
foi

Existem pessoas que perduram na nossa alma para todo sempre. Pondo-me a pensar sobre como fazem isto chego a uma simples conclusão: só marca o corpo da gente quem foi amoroso o bastante para ser inteiro. Quando isso ocorre a partida torna-se singular, quer dizer que atravessaremos a rua e não esbarraremos no amigo, nem poderemos teclar números e recorrer, mas mais reconfortante que isso é saber que aqui dentro sempre existirá, com seus ensinamentos, ternuras, graças, histórias a lá Julio Verne, receitas inesquecíveis e precisas como um relógio suíço, roupas certas, palavras mágicas, enfim... sua falta jaz lá fora enquanto aqui viverá dentro. Lá se vai meu amigo Sidnei Basile encantar novas freguesias.
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