
Meu deslocamento na esperança sempre foi tão fervoroso que aos que provocam-na em mim, certas vezes, os leva aos próprios pânicos. O faiscador arrepende-se ao ver-me tornar-me tocha e disparar o estilhaço. O medo alheio do compromisso por queimar-se é agudo e às vezes, diante do meu arrependimento e invasão, percebo que o que há de bom em mim também destrói tudo, meu próprio lamber floresta e renascer. Um desejo de construir uma vida em luz, de ser livre, de dar-me o tempo necessário e abrir mão das amarguras tornou-me uma mulher perigo, atravessadora de ágil ardor. A está altura, mais do que qualquer um, eu transformo fagulhas alheias em labaredas e caminho certo de construtor de cidades-amores. O egoísmo em não me desfazer dos amores, aqui me torna ancora e quando algum deles acena, como quem indicando ir, eu corro na frente, em disparada, repleta de crenças inúteis. Esse meu adiar desprender-se se tornou perigo aos tão preservados amados e meu desejo por arquitetar sai-me pelas entranhas ao mesmo tempo em que me imobiliza. O salto está por um triz e causará turbulência certa, mas eu terei que fazê-lo sem causar tamanho desconforto aos que acenam, ou seja, meu movimento terá que se descobrir só e ali nitidamente está meu medo de implosão e foco. O barco começou a afundar e não há tanto espaço no bote, caberiam todos, mas o desejo de não enxergar os fez apegar-se ao iate. À minha deriva falta fé, se isso eu tivesse não seria necessário causar ondulações e disparates e, certamente, meu existir confiança estaria repleto.
obs. fotos do filme Manni Sulla Cittá um filme de 62
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