
A dor que aguda a vi sentir doeu-me à alma, percebi seu desejo ardente pelo desencarno e, diblando o tenso transito a caminho da emergente solução não resisti a uma crise de espirros-envolvimentos, era à direita, espirro, esquerda, espirro, acelera, espirro, breca! O sábado ardendo em primavera asfalto e eu estava ali, pasma, quase sem conseguir reagir. No trajeto conturbado pediu água algumas vezes e eu apressadamente levava a garrafa a sua boca, num momento de difícil flexão, entre uma virada a esquerda, seguida de uma à direita, sentiu sede novamente e sua filha mais velha, sentada no banco de trás se prontificou a ajudar-lhe. Assim que recebi o pedido de socorro tentei me comunicar com os continuados, já estava claro para mim que este compartilhar era primordial, o primeiro não atendeu, o outro não conseguiu sair da própria caverna, então a do Sol, mesmo com fala primeiramente brusca, rapidamente se articulou e já estava lá quando cheguei. Estremeci o corpo todo, aceitar a água desta podia mesmo fazer com que atingisse seus objetivos, afinal, das minhas mãos não significava nada, qualquer questão de gênero que tivesse existido entre nós já havia virado borboleta há muito tempo. Deixe-as na porta-pronto e corri para me livrar do pesado veículo, fui surpreendida na volta por não me permitirem a entrada, aquilo era mesmo algo que viveriam juntas. Após algum tempo, pouco mais de uma hora em pé, resolvi encontrar um canto próximo a um jardim e mergulhar nas páginas Índia, peripécias Sai Baba que coincidia com tudo que se passava num sincrônico balé do tempo. A luz do dia já estava se indo quando me procuraram para seguir, a filha estava aparentemente feliz e orgulhosa, talvez o despencar da mãe fosse mesmo uma oportunidade para colocar-se. Foi contando cada passo do vivido enquanto o pequeno corpo no banco de trás encolhido me olhava. Na porta da casa não foi diferente, fez questão de acompanhá-la e cuidar de seu alimento e graciosamente, o que às vezes é difícil para tal, agradeceu e me dispensou. No instante seguinte passei por aperto coração e o medo de não saber para onde ir, uma espécie de solitude desvairada, me empurrava para o barulho das águas, ladeira a baixo. Me vi absolutamente sozinha numa cidade com mais de vinte milhões de habitantes, como será que é possível tal argumento e passível transpiração, basta um momento e lá estamos todos sós apegados à grande roda das encarnações, apavorados.
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