26.10.09

Pé Quente


Quando acreditou compreender seu jogo rápido foi fulminada no instante seguinte, petulância estúpida, de quem exala medo e quer conter. Profanar palavras é o que resta nesta noite vão, não bastava o vento nas árvores, quis à seiva, foi ao chão. Acabou, debruçada mais uma vez na janela, protegida de seus próprios poros, sonâmbula, impermeável. À última porta está bem à frente, da posição que resiste é impossível ângulo ver e, a esta altura, também volta não há. Digo daquele minuto, àquele antes do alastramento, medo de bombeiro de porta que se abre e expande lambe fogo. O desejo carne pulsa, qualquer outra opção é o privar-ser e seus ossos a si isso não permitirão mesmo que para isso cacos tornem-se. Ou se é o que se têm ou se tem o que se é, nada mais há entre as duas opções, numa, seu pé quente é, noutra, cabeça sua fria.

2 comentários:

  1. Caracoles,

    Essa minha amiga, vou te contar...
    Quando leio suas poesias, é como se entendesse várias coisas que se passam dentro de mim, obrigada por abrir esse espaço...

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