5.6.11

eclipse


Quando Lar vê a Lua nosso céu eclipsa

LarArte


LarArte,
meu coração por ti é multicolor

em família



Ontem foi seu primeiro passeio em família, tirando o papai e a mamãe, sua avó materna e seu avô paterno, com seu fiel amigo, a acompanharam. O céu azul alto de inverno estava límpido e incrivelmente lindo, mas o vento gelado logo nos obrigou a voltar para casa. A comida mineira caseira foi reflexo fractal da madrugada e assim fomos nos adaptando às intempéries. O olhar dos avós nos causa infinito de tanto amor e, só o futuro poderá revelar-me tal verdade.

puro objeto reto


Minha língua mãe é de fazer brotar objetos retos e oblíquos. É tanto “eu”, “meu” e “em mim” que deve de estranhar. No entanto, questiono-me se é possível discorrer sobre o que se passa atualmente sem que seja desta forma. O mundo todo ultimamente mora aqui na minha casa e o que eu possa ativamente achar do que se passa fora, no momento, não faz sentido. Apesar de que, no dia que a reforma do Código Florestal foi aprovada pelo Congresso Nacional, semana passada, eu desabei a chorar no sofá como se alguém muito querido tivesse falecido. Como lastimo tal retrocesso. No mais, tirando alguns lamentos mundiais e outros pormenores bestiais, sigo entregando-me às minhas próprias descobertas e vivendo do mais puro amor.

Fiéis


Minhas fiéis escudeiras são impreendíveis. Não importa o tamanho da cerca ou o desejo tê-las seguras, sempre, seja de noite ou de dia, arrumam uma maneira de se colocarem no mundo. A grande passa por frestas minúsculas para alcançar seu vôo, mas só volta se for pelo portão principal. Quando a porteira está fechada chama sua companheira e está vai até a porta de dentro me chamar para abrir, unha madeira e late até que eu saia e deixe sua amiga entrar. Sabem sempre quando estou preparando alimentos para elas e, sempre deixam um bocadinho em cada cumbuca para outra, trocando de pote o tempo todo. De madrugada quando o ordenhador vem recolher as vacas fazem um escândalo que só vendo, todos os dias na mesma hora, irritando o OutroNau que salta da cama e põe-se a reclamar. Se eu fosse elas latia também, portanto nunca as critico. Com a chegada da nenê pensei que pudessem estranhar, mas comportam-se como se Lara sempre existisse entre nós. Trazem para nossa vida alegria e amor e tornam-me uma pessoa mais feliz.

3.6.11

iden ti dad


“Tu serás para mim único no mundo e eu serei para ti única no mundo” trecho do livro Pequeno Príncipe

antes da pedra


montanha mãe, a minha rocha brumada

reflexo mãn


Através de mi te vejo nós

caipiramami-me


quando os egos escorrerão montanha abaixo e minha filha me viu surgiu novo acunticido: caipirizei-me por completo.

merengo


merengo mami
montanho mimo
e assim
Larifico-me paisagem à dentro

1.6.11

amanheço



Aqui do alto quando amanheço o prazer me toma por inteira: juntar os gravetos, ascender o fogo, fumegar café, cuidar da continuada, arriscar-se ao vento gelado com registradora de instantes nas mãos na companhia das fiéis cãs felizes, contemplar mar de nuvens, compartilhar com a própria fonte materna cada milésimo despertar, ver OutroNáu abrir os olhos e sair em busca de seus cavalos, receber o primeiro sorriso Lara e espreguiçar-se com a alma já quente. Acordar antes do dia e esquentar casa útero é assim. E é daqui, do auge dos meus acontecimentos, que resplandeço liberdade e começo a costurar nossos futuros lavores.