23.4.10

vai um lambarizin



Quando estamos entre amorosos podemos notar cada derramada de emoção alheia e conjunto transbordar, mesmo quando não nos conhecemos. De fato somos tão felizes que vemo-nos no micro do macro, no macro no micro e, quando pensamos estar repletos vai mais um lambarizin da horta à dentro. Compartilhar é o meu esbanjamento, minha alegria, minha pururuca! VALEU a meus lambaris da horta. Tô chegando.

15.4.10

Gamela


Além das lente, há sempre algo que nu seria o que não sabemos e, por mais que aja esforço mútuo em estarmos vivos, nos remete a tal condição tacanha: vermo-nos sempre como distintos. O eu sempre eu e você ainda o outro, bifurcados. Um outro incógnita é o que meu eu-esfinge, cego exige e assim vamos nos enganando pelo tempo afora, longínquos equivocados de nós mesmos. O que ofereço ao mundo é meu próprio existir gamela, simples estar a mercê canibal da espera antropofagica. Assim: como quem não quer nada, num fim de tarde cinematográfico quando as palavras já não fazem sentindo algum e não importam para nada, incognoscíveis, indizíveis, improváveis e transbordadas. Renuncia sublime que liberta e coloca-se presente ao mundo das possibilidades.

OPORTUNO



OPORTUNO seria ser sem precedentes, sair da tormenta que nos atordoa, apenas arder, crescer como árvore paciente, florir e passar para o próximo gomo, continuamente. Mas algo lá dentro, num galho entranhado, quase imperceptível frutificou e maduro aguarda o devir fazer migrar caroço. Cada palavra é soletrada até um congestionar de letras, mas, ao contrário da noção de ordem, organizam-se mesmo é no caos, reconfortadas por serem fractais de pontos e vírgulas. O que aqui parece incompreensível um dia será óbvio para outro um e nascerá o inesperado. A redundância de quem finge que não espera e transporta, ao outro, origem surpresa. O exagero nasceu impregnado na minha alma de uma maneira adequada, por mais que não pareça à primeira vista dos náufragos. O exercício aqui é sair do estado máximo e procurar o caminho do meio ao contrário, como a volta do retorno. Ser composta de grandes desafios me causa sobras e restos que justificam minha ausência, ou minha preguiça de apenas deixar às folhas saírem. Incógnita infinda para uns, mar do descobrimento para outros, e, para mim, apenas OPORTUNO.

1.4.10

Borboleta pequenina


(escrito dia 17 de março de 2010_colagem com fotos do passeio do dia 19 no restaurante da Dona Neide)

Pela primeira vez na vida cheguei no momento certo. Após um café em Jerusalém, com os relatos invisíveis de sua filha, fui alongar-me na varanda sob o jardim do rio sinuoso. Foi nesta hora, neste instante exato que a vi sair de seu casulo, titubeando partes, com medo, está sim se espreguiçava com vontade, com sede de vida. Enquanto a eternizava soltou suas garras e fez seu primeiro pouso, precisamente no meu coração, certeira. A metáfora da metamorfose chamava a de fora para ser de dentro e enfim, derramávamos sobre o jardim. Como posso afirmar que não estou nem há uma semana aqui se em mim permaneço. O ar que entra em meus pulmões vai lavando resquícios de cracas-máguas e o barulho das águas é límpido, nascente. Este é o ponto encruzilhada daqui para frente nada poderá tornar-se o patético mesmo, mas agora, ainda em câmera lenta, os ventos afagam meus cabelos e a presença teia inicia sua jornada sistêmica. Tenho conhecido, tocado e trocado ideias com muitos enraizados por dia, olhamos profundamente um para o outro, dizemos nossos nomes e convidamo-nos ao existir mútuo. Observo minha presença sem árduas críticas ou margem de preocupação, apenas sou o que posso da forma mais simples que no momento existo. Hoje está anunciado um dia mágico, dentre as muitas que sou a oradora ventará pela Terra Fria, este estar já me causou antigos pânicos, principalmente quando havia uma mistura entre a pessoa-função e a pessoa papel, ainda bem que liberte-me no momento anterior, quando o trabalho queria ser eu, mas pude ser mais. Hoje estou aqui, no meu menor tamanho, podendo sobreviver a qualquer tempestade, integra, contagiando fé e amorosidade pelas estradas de Terra. Grata por sair da confusão da mente e existir nas alturas, metamorfoseando e notando-se borboleta.