10.10.09



Profundo seria recompor-se por completo
Deixar de sobras, vírgulas desnecessárias...
Palhaçadas de narração
Se me catatau a esta altura
Posso alcançar o indesejado
E morrer poeta maldito
Acho que como a amiga das amigas dizia
quero ser avó quituteira, tetuda contadora de causos
Ter pé de Flôr cheirosa sob árvore frondosa
Deslirar com os descendentes, agregados e decentes integrados
E orar, num amontoado de amores
Ver tucano voar,
papagaio gritar e
Claro,
Macaco vigiar
Punir ninguém,
nem à tardinha
Poder soberba ser absorvida pela própria terra
Não se achar nada além do que não necessita de palavras
De pessoa-função não sobrar nem a palavra dúvida
E ao charme retornar, em movimentos quase em lenta câmera
Reencontrar o irmão em si e migrar para outros horizontes
Livre rolar de grama, desnecessário territorializar
Bater tambor, cantar, fazer doer eternos
Despir-se de primores e outras bobagens
Tomar o copo d’água das próprias mão
na doçura de experimentador
E enfim, virar o que sempre foi,
trans, lúcida, borboleta.

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