
Lara me habita a carne há alguns meses, agora, às vésperas de transparecer fico aproveitando seus últimos empurrões encarnados internos. De certo está vai causar-me empurrões de outros tipos para o resto de meu tempo neste lar-corpo. Tem noites que ela tremula como borboleta e me faz pensar no estar em paixão, como dizem os poetas ao estomago. Não há dúvidas quanto a curiosidade de saber seus traços, mas sem ansiedade aguardo minha continuada aproveitando cada minuto deste primeiro tempo. Sentir uma outra se metamorfosear aqui dentro agregou uma espécie de compreensão global e um sentir-se árvore, enraizada, agregando luz, gerando proteção, resplandecendo com o centro do meu mundo bem no meio de minha barriga.
