
Angiorradiologica
Quando me vir inconsciente, perdida, surfando na ignorância, arranque-me bruscamente. Com amor, não permita que me afogue, que as emoções se façam inteiras e que a mente não engane meus atos, ame-me, estenda sua mão e oportune espelho. Que eu possa junto de ti ter sentimento compartilhado e que nossos egos ísmos não cavalguem no esquecimento, se eu demorar a acordar, por favor, não me abandone, lembre-se que estou fazendo o que posso no momento e infelizmente ainda não tenho como ser igual você. Lembre de meu sorriso e conte-me quantas vezes puder nossas histórias, quando cruzamos nossos caminhos, como falei, orei e amei. Se no minuto seguinte eu perdida estar novamente, sacuda-me, honre o eterno, não tente esquecer-nos eu ainda chovo muito por dentro, trovões desnecessários ventam-me sem cessar. Quando o vejo sereno com seu pesar desconsolo tento alcançar seus passos, mas em vão tropeço novamente, onde deixei as letras que me orientavam... Amor, me diga quando eu em mil tornei-me só, por qual razão esqueci quem sou, onde estou e principalmente, porque não consigo me mexer, e, mesmo quando posso é puro atropelo de outros. A cegueira de uma cidade perdida entre ísmos de silêncio e pânicos de desencontros me consome, por que raio que, enquanto espécie, não saltamos num existir amoroso repleto, ou melhor, por que, nem ao menos consigo pular este meu te desesperar. Que infortúnio, o saber reprime as entrelinhas das pulsações e mais uma vez torno-me cruel, voraz e besta, seguro suas marcadas mãos... Devora-me! Aja rapidamente, tire estes livros de dentro de mim, estou estufada de antropofagias críticas e cuspes poéticos catárticos, de noite, quando acordo e tento em vão procurar seu inexistente corpo lembro-me de seu desistir, ou nunca existir, da ausência de chegadas e saídas, de minha inesgotável imaginação, quando terei coragem para enfiar a mão goela abaixo e tocá-lo, bata-me.
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