3.2.10

Resignação


Colagem= foto de André Montenegro, mostrando o prédio da Ocupação Prestes Maia com uma bandeira colocada pela Frente 3 de Fevereiro + Foto de Antonio Brasiliano da porta da Catedral da Sé + foto histórica de ritual Camdomblé

Tem horas que não tem jeito o embrulho é certo, não tem estomago que aguente tanta resignação. Ave Maria! Olhar o Homem de perto é mesmo de se estremecer! Dizem que blasfemo inocência quando de fato engulo verdades. Tiram as insígnias e gozam humilhações, quando é assim, já são grupo certo, os promovidos, os cães de guarda, os edu-choque, adoradores do sistema anos luz dos corregedores. Voa criança, o que tiver pela frente e assim vivem as ditaduras da miséria com o apoio de certos homens-públicos. A receita óbvia foi a grande solução, alimentem os que pensam que sabem e os distraia consumindo-os, isolem os que se fazem diferentes e paguem o circo, para os outros, à maioria, este exército de desesperados, encurrale-os em outro território, à deriva a mercê da nossa sorte. São investimentos, nada mais, o barco é grande e repleto de iguarias, mas não vai dar para todos e os zumbis estão fora! “- Saiam do caminho! Vão lutar na freguesia, que é pra lá da conchincina... Quilombo-centro vivo? Que isso agora? Ponham-se no seu lugar sobra e desinfete do meu padrão asfalto. Quem são vocês para querer pertencer? Meninos-resto? Homens-lixo? mulheres-ir-recicláveis? velhas-vãns?” As falas indignas aparecem no meu caminho e não posso mais ignorá-las, nem eu, nem a cidade afogada, impermeável, transbordante, sob rodas, rumo ao caos. Saudade dos amigos que acreditam poder mudar o mundo, transcender, concretizar o poético. Dos que resignam na ação e não se calam repletos com a boca escancarada de eletrônicos. As necessidades das identidades retardam os nossos coletivizar-se. Ateie-se teia e zumbize-se em Sampa-ego-city, que este toró desenfreado de vaidades ainda vai nos levar ao ralo, já sinto o cheiro. Fica conosco esta noite e constele-se!

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