
O “causis” é o seguinte: reagir raivosamente causa colapsos interiores e erupções externas. Fora isso, o óbvio: engorda! Cuspiu verbo ríspido já era, não tem mais jeito, o tempo venta e é porta que não cessa de bater. Cachorro late, vizinho uiva, família sofre. É genético, coisa que também é de causo conhecido, de temperamento herdado os honorários estão cheios. Se tapa ou coice resolvesse por decreto não haveria mágoas ou problemas, mas não, lá vem o poeta de novo, “poema tem família grande”. A burrice é que mesmo sabendo que dois mais dois são quatro ainda proclamamos besteiras em alto tom. Que infortúnio! Com a inteligência emocional de um primata e com a coragem de um tigre dissertamos asneiras que ferem e maciamente nos protegem. Podemos dizer que são confortos da estupidez e, pós relincho abrupto, nos arrependermos calmamente, com as células ainda em chamas, remorsas. O primeiro serviço do bom tempo é fazer com que estes lapsos só ocorram com quem amamos, se é que quem ama verdadeiramente alguém é capaz de enfiar peixeira fina ou pelica lustrosa. O segundo, inconfundível, é fazer-nos crer que o glorioso vai nos gratificar com esquecimento alheio, mas como uma criança peralta, o bom tempo, sempre trás lembrança à tona quando transparece. Pirracento! Infantil! Covarde! Culpar o outro, o tempo, a vida, a coisa, o verbo, a forma, o vento, a árvore, a cor, o tapa e a palavra, é tão gostoso que quase nos esquecemos, já sem tempo, de arcar com responsabilidade de quem cativa. No mínimo do máximo empregamos a palavra perdão e oramos para no futuro sermos animais mais ternurosos, repletos de moléculas d’água “Chi do Amor”, com elemento brasa equilibrado e empregado no construir. Assim, repletos de oxitoninas prontas para o encaixe perfeito no êxtase do compartilhar. Peripatetismo do per dão.
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