
Colagem= Foto de Antonio Brasiliano do trabalho do coletivo Elefante e emburra empurra na estação da luz foto de Nilton Fukuda
Segundo o relato de uma ex-moradora da ocupação Prestes Maia, há 4 anos atrás, a prefeitura de São Paulo, através de uma promotora pública e uma assistente social da subprefeitura da Sé , ofereceram a quantia de R$ 5 mil reais para "para aqueles que decidissem deixar o estado de São Paulo e voltar para sua terra natal”. A moradora, complementa: "ela me pediu falar bem claramente para as famílias que quem pegar essa verba não vai ter mais nenhum atendimento, nem o vale leite, nem o bolsa família, nem o bolsa escola, automaticamente é cortado tudo".
As famílias que aceitam este tipo de “benefício” são consideradas atendidas pelo poder público e perdem o direito a cadastros em qualquer outro programa. Outro morador, não escondeu a sua indignação com a proposta da promotora,
“isso pra mim é querer higienizar a cidade, achara que nós somos impuros para morar aqui (...) Pra albergue não vou, como você faz, um pai de família, num albergue? Não tem o seu cantinho, você fica dentro de um quarto com 12, 13 homens, metade viciado, outros que já tiraram cadeia, como você faz num lugar desses com seu filho adolescente? Essa proposta nem devia existir, querem higienizar a humanidade. Em que século nós estamos?”
Este tipo de conduta ainda é utilizada na cidade de São Paulo. Agora quem te pergunta sou eu: Será que podemos classificar este tipo de conduta uma política pública? Desconsiderando completamente os direitos constitucionais de um cidadão brasileiro. Quem seriam os verdadeiros paulistanos com direitos de nascença, seriam eles os Guaranis? Como numa cidade considerada cosmopolita como São Paulo; composto de originais, como os indígenas; os que obrigados foram arrastados para cá, escravos africanos; os que aqui reinaram torturar, conquistadores portugueses; os que acreditaram numa terra sonho, italianos e japoneses, ou mesmo judeus; os refugiados de genocídios, armênios; os que buscam oportunidades, coreanos e seus rivais chineses; os estrangeiros que prestam o papel de escravos voluntários no centro de São Paulo, refugiados da miséria, bolivianos e peruanos; sem contar os Haitianos que estão por desembarcar, os angolanos, cabo-verdianos; há também os nossos próprios, brasileiros, atraídos como estes estrangeiros, por razões bastante conhecidas, fruto das desigualdades deste país, os nordestinos e povos do norte, estão aqui há algumas décadas, desde que os estrangeiros emanciparam-se a patrões. Seria São Paulo ainda o mesmo “sertão de índios brabos” da outrora original Guarani? Quem é branco? Quem é preto? Quem é brasileiro? Não sabemos há muito tempo, mas, o que temos certeza e podemos infelizmente apontar por aí é: quem é pobre. Esta foi uma cidade que nasceu para ter os "ares frios e temperados como os de Espanha", já brotou colonizada, “nova rica”, deslumbrada e devemos a todo o momento recordar que ninguém, ninguém, daqui surgiu espontaneamente. Aqui se construíram natividades, “lares-cidade”, sonhos, paixões. Tentar exportar a própria pobreza é no mínimo uma porcaria. Quem pode distinguir-se?
obs1: para ver o depoimento dos moradores na íntegra Blog da ocupação Prestes Maia. Postagem do dia 15/02/2006. Disponível em: http://ocupacaoprestesmaia.zip.net/arch2006-02-12_2006-02-18.html
obs2: Melhor Resposta: vídeo: Z'Africa Brasil no documentário Zumbi Somos Nós http://www.youtube.com/watch?v=_1k6LOdKquI
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