
Dois mil e nove ficará na minha vida como um ano de superações e desafios. Não é mais possível precisar quantas palavras passaram por meu corpo e desencadearam minhas mãos a rendar. Um ano de preceitos precisos e missão amorosa permanente. Ano de grandes conquistas internas, como à própria palavra, empenho sereno em busca de auto-teto para tornar-se Lar. Neste final de ano às últimas pedras foram sendo arremessadas com tal violência que por um momento vacilei, pensei em largar do cais, partir em bote único, alongar-me por aí, poluir, queimar tudo. Imaginem-se sós, ao sair da teia, camuflando-se à multidão, ser gota de oceano, migrar como grão para outras paragens, partir, devanear, romper barragem. Mas para a mágoa não poder tornar-me mais cruel terei que nadar num mar de destroços cortantes e seguir caçando os fragmentos. Tento buscar na minha memória seus rostos alegres e suas palavras de bater panela em noite escura, lembrar do meu confiar, das casas todas, dos cheiros, dos cães, das árvores, de nós. É necessário alertar minhas células destes desenganos e permanecer fiel a meus laços, minhas lembranças, minha alegria. Mais dói, dói, dói, dói... Às vezes é difícil me mover e a produção dos compromissos vai levando-me a loucura, à terra árida de erosão sem retorno. Uma guerra é capaz de transformar soldados de virtudes em pequenas maldades ditaduras e lentamente vou vendo-os todos se afogarem em desafetos e isolarem-se ilhas. Cegos não desejam mais saber de minha presença e lançam suas granadas de rancor deixando-me assim mutilada e triste. Como separar o passado do presente sem beber tantas gotas salgadas e roladas... Jamais poderia imaginar ser confundida de transparente para invisível pela própria origem carne. Como Pequeno Príncipe crendo “que o essencial é invisível aos olhos” e que somos responsáveis pelo que cativamos sigo pelo planeta. Alguma maneira de olhar sem cisco pode me aparecer a qualquer momento então fico como coruja a espera do despertar de cada um dos meus, dos nossos. Penso em que isto tudo pode oportunidade única, vantagem de quem não espera mais ser reconhecida pelo que faz, mas isso eu também já entendi que é uma guerra que só se passa aqui dentro, quando se é. Foram duas mil e nove guerras travadas e vencidas, se é que alguém ainda acredita que vencer significa alguma coisa por aqui. O planeta que se despede deste ano em Copenhagen sem cooperação, sem futuro, sem afetos e acordos. Será o fractal da família azul se revelando na minha ou a minha se espelhando na nossa. O mágico, que tanto admiro, quando disse ao pai: “os opostos se distraem” recebeu a gloriosa resposta: “então os dispostos se atraem”. É, seu Odácio, que meu aquecimento, como o do planeta, não seja irreversível, pois como nosso presidente falou: “... se a gente não conseguiu fazer até agora este documento. Eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora”. Aos meus presentes ausentes! Ao princípio do fim! Ao fim de um ano sem acordos rumo a 2010! Onde desejo conflitos mais amorosos, presentes contentes e parágrafos curtos! A espera de um milagre chamado nós, diretamente no nosso lar azul,
Lua
“cativa-me!”
Ui Ui Ui.....
ResponderExcluirrespiremos para enfrentar o dragão da maldade dos desacordos....
vamo que vamo!
Olá...tudo bem?
ResponderExcluirComo estão? adoramos conhece-las beijão e um 2010 cheio de Energia Pura!!! bjs
Ethiene (Refúgio Energia Pura)