
Sabia que todos desejavam o menino, mas gestava a mulher sem ter dúvidas, o pai com certeza não iria gostar, muito menos o marido, mas ela sabia até a cor dos cabelos de sua filha, esperava ansiosa. Guardava em si os tensos momentos da fuga em sua mãe. Viviam com muita dificuldade, valia a sobrar e a primeira continuada iniciando falar, trabalhavam sem cessar. Longe das irmãs e da mãe, quando houve o primeiro pequeno escape, desesperou-se em silêncio foi um momento de solidão cortada que ficaria marcado no corpo de ambas para sempre, ainda teriam que coexistirem por cinco meses e a cada escape mais o pânico invadia o ar. Nos últimos três não teve mais jeito, enquanto o marido estava fora, saiu um pouco mais do que o de costume e teve que às pressas procurar, na sua solidão, o médico da cidade, teriam que ficar em repouso absoluto até à hora da chegada. A menina nasceu com a estrela, como disse quem a tirou, de cara para o mundo, verdadeira, cheia de coragem, e os olhos, ah! E os olhos... A mãe emocionou-se quando a viu, o próprio pai, sim, a doce continuada. Com a filha desta, da doce continuada, também não foi diferente, ainda mais por acreditar que a própria mãe não a havia desejado deste gênero. Como conduzir este efeito sobre a própria, de forma certeira, não podendo haver dúvida, ou a loucura da antiga sensação poderia retornar. Por decreto, tudo azul foi definido. O corpo à pressão do caos foi colapsando ambas e de forma abrupta, a menina estimulou a aceitação do outro, do pai. A doce, da doce continuada, sentia dores profundas e sabia, em seu corpo, que também causaria a mesma cara pálida de não ser do gênero certo. O irmão desta teve outra sorte e também teve sua continuada, com esta também não foi diferente, a mãe também acreditava não poder ter laços intrínsecos com mesmo gênero e tal crença a levou aos escapes, a doce do doce da doce continuada quase não suporta a perda de tanto e às pressas foi retirada antes do tempo de seu teto. Existiam em seus corpos os registros tatuados de todas elas, em seus contínuos tetos, o tolo medo de serem rejeitadas por não serem o que não deveriam ser, às levaram a crer que haveriam de agradar, ou lutar contra isto, suas vidas inteiras até que aceitassem-se livres e integras para construírem os próprios tetos amores e não sobrasse mais espaço para o medo em vão.
feito em 09/09/09
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