5.1.10

caipirando-me no dez


Quanto se sente uma compressão sobre o corpo, um aperto esquisito, como se tudo estivesse em suspense, com a nuca dormente e o ventre expandido, ou quando colocamos força de mais nas extremidades e já não podemos mais racionalizar é chegado o grande momento do caos. Nada será plácido como antes porque estamos separados de nossa capacidade de cautela e a prudência não se faz mais necessária, divagamos-nos nus, entorpecidos e sós. É justamente na ressonância, no encontro, no minuto antes da história se seguir que tudo transborda. A questão já não é mais se isso pode ser bom ou ruim, pois o aparelho cérebro esta quimicamente avariado, como um relógio Alice, desvairado. Agora já é tarde, os ponteiros avessos percorrem sentido contrário e em gota oceânica retornamos às marés do acaso a mercê das circunstâncias, como sempre estamos e não percebemos. Num é mais o outro e nem sua presença que determinará os acontecimentos, pois tudo já se faz inteiramente na forma de derivações, fractais borbulhantes de mudança peptídica e corporal, como os poetas que ardiam no plural. Um retorno ao correr vinho e encarar-se sombra nas próprias entranhas carne viva, colocar-se víscera e “deslirar” como nossos antepassados fizeram em suas eras leônicas. Meu big bang umbilical na própria dualidade, no minuto véspera mergulho dissertação e laços quânticos. Dois mil e Dez, aqui vou eu, para o alto e avante diante da sala da justiça, passarinhando em nuvens e, como sempre, sonhando com “trigais dançantes”, caipirando-me.

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