4.12.09

Pequeno Dicionário de Deslirações




Pequeno Dicionário de Deslirações, um trabalho da artista Cibele Lucena, um livro-lugar-blog onde podemos “deslirar”, como o movimento do lírio rumo ao pólen, para dentro de si mesmo. A construção de um espaço para a liberdade de dar nomes, sem tirar os pés do chão e mesmo assim, alcançar as estrelas. Oportuno momento de reflexão ante a reforma da própria língua em sua proposta de unificação. Um convite è própria “desliração”, ao sutil, ao canto dos pássaros, ao “passarares”. Enfim, uma poesia-objeto fruto de um processo de “solitação” que vem para “presentificar” a “iluminança”. Onde temos a plena certeza que “confianto” podemos “passarar”. Às “delirirações”!

algumas de minhas preferidas:

Solitação

So.li.ta.ção (lat solitactione) sf 1 Faculdade ou exercício de resguardar o poder da solidão; 2 Modo peculiar de ação: dar passagem aos lugares fixos é um outro lugar para se ir; 3 Título de percepção sutíl: fica decretado que o silêncio está sempre à disposição; 4 Maneira como podemos ser, em interação.
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Pre.sen.ti.fi.car (lat praesentificare) vint 1 O estado presente do corpo no espaço e no tempo; 2 Abertura sensível para relacionar-se com densidade; 3 Inventar formas singulares de existência; Afirmação do dissenso; 4 Ato de ignorar recomendações gerais e protocolos; 5 Mobilidade interna; colocar-se disponível; 6 Não reduzir a si próprio nem a outrem; ser; 7 Não lutar contra o vazio; sentir-se; 8 Estado manifesto de criação; inevitável metamorfosear-se; 9 Ter um par de asas.
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visitem o pequeno dicionário de deslirações: http://pequenodicionarioilustrado.blogspot.com/

Meu presente-desliração à artista Cibele Lucena:

Renascer nos custa, quase que invariavelmente, tudo. Quando acontece é sempre uma luta ao destino despego. Fecho os olhos e lembro de ti assim, floresta integra, o querer e saber estar em si, sempre amanhecendo, possuída de amor e entrelinhas sutis. Seu esforço por humanizar-se é vigoroso e, como sabes, muitas vezes à mim inútil, esta minha maneira de te olhar transparente é mesmo de abraço na ponta dos pés ou o bater asas borboleta chapada. Te ver transformar a terra e encarnar planeta me trás sensação Fumaça, força jato que chega gota, aquilo que é seu não pode ser tirado e o espaço o é em Ci. Outro permanece ainda, um lapso presente não causa rupturas passado e sim erupções futuro. À morte sensação realiza impermanência , aquela em que água-coca brota silenciosamente e por fim vai carregando montanha. Espero que momento tromba d’água seja cumprido no horizonte amor, quando a Sol se põe e voa. À chapada sensação, onde tudo que acontece dentro transborda fora e o que se move fora penetra dentro, ao ser e estar em si. Ao amor e ao enfim, assim, trans lúcida, transparente.

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