9.1.10

A Bocó Capital e Seu Corpo Sensacional



Hoje li um texto muito interessante da antropóloga carioca Mirian Goldeberg sobre as mulheres de classe média e resolvi trazer a tona para nós algumas das reflexões:
Na vida moderna, ser mulher e voltar para casa não é uma opção, já que provedoras agora somos também. Ser bem sucedida no amor, como mãe, revolucionária e no mercado de trabalho nos exige mais do que qualquer tempo integral. Ao caminho da exaustão partimos sem precedentes até o discurso da vitimização, onde a poesia perde-se no vento e as árvores não dizem mais nada. A decadência do corpo social engessado de tanto botox, ou bocós, vai nos tornando invisível ao ponto de, ao contrário, nos desqualificar. Ter cabelos brancos à mostra e banhas protetoras é hoje sinônimo de desleixo e preguiça. Que pena! Sem um procedimento cirúrgico é melhor procurar um psicanalista bem alternativo, pois aquela Barbie na poltrona em frente com certeza não leu a bula de seu medicamento. Arrancando todos os pelos pubianos para parecermos menininhas ou deixando um bigodinho ditador vamos esquecendo nossas livres divas brasileiras, mulheres que fizeram história por serem o que são, sensuais e criativas. Imaginem só chegarmos ao 60 querendo termos 20, só mesmo cultuando um mundo masculino. Competir, competir e competir, já me sinto preguiçosa só de pensar em encarar um mundo feito por mulheres que querem ser como estes homens. As espertas banham-se no discurso da fragilidade e para torná-los mais seguros parecem sempre estar por quebrar. Delicadeza! Por favor! Queimar sutiã não dá mais não é! Hoje temos silicone pra tudo. Pra ser poderosa e líder brasileira têm que se fazer plástica ou podemos admirar a beleza da floresta sem decotes bruscos? Depois que o marketing político virou aparência cívica passei a me questionar sobre certos requisitos profissionais. Teria eu que enxugar meu discurso para atraente e melhor bem sucedida ser? Minha máquina capital esta fora do mercado de luxo atual e não se compram mais arte renascentista há vários séculos. Como de modernidade acho que estou bem cheia, ou melhor, vazia, como os discursos e os consensos cheios vazios políticos o jeito é eu rever meus conceitos ou comprar uma piruleta mágica. Pior do que isso, para esta sociedade avançadinha, só mesmo o fato de não estar casada ou não ter um amante poderoso. Não têm filhos e não são as melhores neurocirurgiãs do país? Incompetentes! Sem um “capital marital” para telefonar varias vezes por dia, não possuo pacote família feliz e minha vida ta quase sem sentido mercadológico. Escrever, escrever, criar, estudar, paquerar, orar... Realmente, fora de brinca, como diz um amigo meu! Se eu tivesse companheiro para competir a esta hora o que eu faria? No mínimo eu poderia causar inveja ao dizer: sou gorda mais tenho marido! Ou: não tenho marido mais pelo menos sou magra! Só rindo mesmo deste padrão que compramos tão caro ou lamentando-se por ser gostosa além da conta e estar sem parceria afetiva constante. Vamos meninas, como dizem por aí todas somos meio Leila Diniz! Animem-se ainda temos um mundo para construir, um mundo mais amoroso e igual onde nos fins de tardes poderemos até tomar uma chuva ócio criativa e percorrermos nossas curvas com devaneios, cravos, canelas e o que mais te ventarem por dentro!

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