30.11.09

Eu borboleta você passarinho



Cruzou os braços no ar e ressuscitou os sentimentos que acreditava estarem extintos, mesmo sem me conhecer passou a me ver por aí. Como mágica uma porção de sósias foram borbulhando no ar, batia as asas ali e logo elas apareciam, efervescência que lentamente o fez divagar e voar ao contrário. Não podia pensar no meu fundo olhar que já o levava ao vacilo e, como que caindo de corrente quente segura, perdia os sentidos e parafraseava o ar em queda abrupta. Um abismo de casa no lago nos fez viver assim, fora do tempo, com asas avessas. Eu, acreditando extinguir-me em presa, ele, fingidor predador de borboletas. No entanto, todos sabíamos que éramos apenas um par de estranhos com tons soberbos, ele nu azul esverdeado, eu verde em folha ao sol. Como separados do ninho nos perdemos em jardim secreto e hoje sou beijaleta, ele, borbo-flôr.

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