25.11.09

Recuerdos de lolita-me




Já faz um tempo que não perco tempo tentando me definir, lembro-me de movimentos frenéticos que urgiam personalizar a tudo que tocava. Da cor favorita à maneira de expressar-se com ardentes verdades, um querer que não cessava, só de me remeter já sinto o cansar. Quantos “achismos” e barulhos mentais, uma inteligência perversa e brilhante que transformava tudo num chiado fervoroso. Escrevo em busca da saudade, para migrar no tempo, viajar por alguns minutos no remoto e então encontrar onde esta está. Um ser sensual, sem dúvida, que transbordava e como gato, arriscava-se em ser arisca, selvagem. Sinto saudade de suas curvas delineadas e sua sede de vida, disto sim, que saudade desta menina, e do quanto fingia ser mulher. Na dúvida, a lição era logo pronunciada, mantinha-se o charme e ronronava-se deliciosamente. Velas acesas, perfumes e gostos inebriantes, e claro, o que ainda faço sempre, me perder em notas gênio musicais, admirar a arte e tocá-la entre mãos e pés. Sim, to sentindo-a agora, lá vem ela, minha Lolita saudade, agora a entendo, como La Paloma Azul tocada por Paul Desmond, nota por nota, espreguiçando-se em Ipanema, apaixonada, contando grãos, louvando o sol, curvando-se ao infinito e parodiando besteiras, como era bom este meu carnaval. Chegava em casa e corria pela casa, blasfemando verdades e cantando, sempre cantando, cercada de amigos, da família, do ar no mar e seu cheiro de melancia mareada. É, lá estou eu, podendo ser olhada por mim com ternura e saudade. Ah! Se eu pudesse voltar, não tenham dúvidas, “começaria tudo outra vez se preciso fosse”, com cada um de vocês, pois hoje tenho a clareza que parte de mim já é vocês. Com amor da filha, da amiga, da irmã, da prima, da amante, da aprendiz, da menina, Elenira.

2 comentários:

  1. Me sinto grata! Grata a vc por me ensinar a olhar-se, reverenciar-se, amar-se... olhar-me, reverenciar-me, amar-me... ser sempre como se é, mudando-se a cada minuto

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