1.4.10

Borboleta pequenina


(escrito dia 17 de março de 2010_colagem com fotos do passeio do dia 19 no restaurante da Dona Neide)

Pela primeira vez na vida cheguei no momento certo. Após um café em Jerusalém, com os relatos invisíveis de sua filha, fui alongar-me na varanda sob o jardim do rio sinuoso. Foi nesta hora, neste instante exato que a vi sair de seu casulo, titubeando partes, com medo, está sim se espreguiçava com vontade, com sede de vida. Enquanto a eternizava soltou suas garras e fez seu primeiro pouso, precisamente no meu coração, certeira. A metáfora da metamorfose chamava a de fora para ser de dentro e enfim, derramávamos sobre o jardim. Como posso afirmar que não estou nem há uma semana aqui se em mim permaneço. O ar que entra em meus pulmões vai lavando resquícios de cracas-máguas e o barulho das águas é límpido, nascente. Este é o ponto encruzilhada daqui para frente nada poderá tornar-se o patético mesmo, mas agora, ainda em câmera lenta, os ventos afagam meus cabelos e a presença teia inicia sua jornada sistêmica. Tenho conhecido, tocado e trocado ideias com muitos enraizados por dia, olhamos profundamente um para o outro, dizemos nossos nomes e convidamo-nos ao existir mútuo. Observo minha presença sem árduas críticas ou margem de preocupação, apenas sou o que posso da forma mais simples que no momento existo. Hoje está anunciado um dia mágico, dentre as muitas que sou a oradora ventará pela Terra Fria, este estar já me causou antigos pânicos, principalmente quando havia uma mistura entre a pessoa-função e a pessoa papel, ainda bem que liberte-me no momento anterior, quando o trabalho queria ser eu, mas pude ser mais. Hoje estou aqui, no meu menor tamanho, podendo sobreviver a qualquer tempestade, integra, contagiando fé e amorosidade pelas estradas de Terra. Grata por sair da confusão da mente e existir nas alturas, metamorfoseando e notando-se borboleta.

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