10.6.10

Mimkais torrencial e um OutroNau sensacional



É assim, um dia somos um e no outro somos o infinito. De repente, num pulinho e estamos lá, do outro lado, onde antes não conseguíamos nem se quer enxergar existência. Imaginar era preciso, mas o tempo andava em descompasso no lago. Algo em mim, que também não lembrava existir deu um passo à frente e floriu ritmado, em passadas largas. Não posso nem ao menos dizer que ‘estou que não me caibo’, pois estaria sendo injusta, afinal, a xícara está na medida certa, no tempo exato e com o chá quente de ambos na ponta dos dedos. As palavras andam cabulando minhas mãos por quase falta de sangue. Com a força total no cardíaco meu caminhar está para lá das montanhas geladas e, bem no centro da salamandra, brasa um vôo tórrido entre dois seres alados que tomaram a decisão certa na hora exata e juntaram cada telha de perfeito encaixe num mesmo lago, não mais congelado, não mais em ondas, não mais repleto de lodo, não mais o que o impede de ser, apenas ‘Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera’* , conseqüências de pequenos atos que podem durar a vida toda. Mimkais e OutroNau estão se metamorfoseando em KaisNau, porto nosso de cada dia, além.
*filme do diretor sul-coreano Ki-duk Kim

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